• RSS
  • Orkut
  • Twitter
Posted by . - - 8 comentários

Introdução

Me chamo Hideki Matsumoto, nasci no interior da Califórnia em 21 de Abril de 1960, atualmente estou com 50 anos. Minha vida sempre foi muito conturbada e nunca tive a oportunidade de ser uma "pessoa normal". Minha família sempre foi muito rígida e com costumes primitivos. Para se ter uma ideia, eu era terminantemente proibido de sair na rua e brincar com os meninos da mesma idade que eu. Portanto sempre tive uma vida solitária, exceto na escola que sempre tive colegas. Minha mãe dizia que eu possuía um futuro de muitas responsabilidades, e por isso não deveria me distrair com coisas inúteis. Isso até eu conhecer Claire Kinoshita, uma garota que se mudou para a casa ao lado da minha, ela era uma menina bem reservada e não falava muito, sempre quis criar uma amizade com ela, mas eu era bastante tímido para isso. Outra que meus pais comentavam: "Esses novos vizinhos vão apenas nos trazer problemas, Hideki não deve se aproximar daquela casa". Então eu subia em uma laranjeira -escondido- que meu pai tinha no quintal, e ficava observando ela brincando com suas bonecas, com seus pais ou até mesmo dormindo encostada em uma cerejeira, essa última cena me arrancava suspiros, o contraste da árvore com a pele de Claire era belíssimo, as flores que caiam dela e que tocavam suavemente seu corpo pareciam se tornar mais belas e vivas.
Certa vez, enquanto eu estudava ciências, meus ouvidos captaram alguns gritos que pareciam vir da casa de Claire, fiquei assustado, mas mesmo assim tentei me concentrar. Porém as coisas pareciam estar ficando a cada segundo mais fora de controle, e imediatamente deixei meu caderno e meu lápis sobre a mesinha e fui para o meu quintal. Escalei a laranjeira e pude ter a certeza de que os gritos vinham de lá. Eram os pais dela e mais alguém, era uma discussão sobre a segurança e o bem-estar de Claire. Minha mãe se aproximou mais da cerca que separava nossas casas e segurou ela com suas mãos, erguendo a cabeça com dificuldade. E eu por um descuido caí da árvore e cortei minha perna em um galho. Nisso, uma luz explodiu para fora da casa deles. Como eu estava estirado no chão, apenas observei ela passando por cima de mim e logo em seguida desmaiei.
Minha avó paterna, atualmente falecida, era uma grande enfermeira por isso foi ela a primeira pessoa a quem meu pai recorreu para cuidar de minha grave ferida. Ela era uma senhora muito gentil e dócil, era muito pequena, ainda possuia cabelos escuros e seus olhos eram verdes, sua pele era desenhada com linhas finas e fundas, cada uma delas registravam sua história ao longo dos seus anos. Minha avó era uma verdadeira batalhadora, o único problema dela era sua fascinação por gatos, qualquer felino abandonado em esquinas e ruas, principalmente os feridos, eram pegos para serem paparicados e entupidos de comidas, por isso eram todos obesos. E para ajudar, eu tinha alergia aos pelos que soltavam.
Com essa ferida passei uma semana em sua casa, tratado a base de leite, biscoitos e sopa de algas. Mas eu só conseguia pensar no que poderia ter acontecido com Claire e com seus pais, nem me importava de colocar aquelas algas nojentas em minha boca.
Finalmente eu havia voltado para minha casa. Pulei a cerca que separava a dela da minha. Meus olhos inquietos procuravam por ela, meus pés amassavam com força a grama do quintal e as flores de cerejeira estendidas pela extensão do chão, foi quando a vi sentada em uma cadeira branca de costas para mim, ela estava mais quieta do que o comum. Meus dedos tocaram em seu ombro e isso fez ela se virar. Estranhamente, seus dois olhos estavam tapados com gazes, manchadas de sangue. Sua visão fora embora.

Capítulo 1 - Kamarugo, 1993
Kamarugo, localizada no interior do estado da Califórnia, é um tipo de colônia japonesa, ou melhor, era, com uma vasta área verde, contando com uma imensa cachoeira no início da cidade, e com apenas dez mil habitantes, sendo esses 75% descendentes de orientais, melhor dizendo, de japoneses. Era para lá que eu e minha mulher, Claire Kinoshita, estávamos indo passar nossas férias de verão. Nossas famílias e amigos viviam lá. Já não os víamos há quase dez anos, pois fomos à cidade grande em busca de condições financeiras melhores. Minha mãe e meu pai nunca aceitaram direito meu casamento com Claire, por ela possuir uma deficiência visual, cuja chamam de cegueira. Mas a cada dia que se passava eu me via mais apaixonado e responsável por esta mulher, e não importava o que diziam e pensavam sobre nós dois.
Ainda estávamos na estrada a caminho de Kamarugo, já podia ver as cerejeiras ocupando os dois lados da pista movimentando-se de um lado para o outro conforme o vento batia nas mesmas, esbocei um sorriso no canto de meus lábios e diminui a velocidade do carro, para que Claire sentisse melhor o cheiro delas. Ela abriu seus olhos e desencostou sua cabeça da janela, sorrindo levemente:
- Já estamos chegando, não estamos? – Me perguntou – Sim, estamos... Já posso sentir o cheiro delas. – Me disse sem ao menos me deixar responder. Claire era extremamente apaixonada por botânica, conhecia diversas espécies de árvores e plantas, isso me impressionava muito e conhecia mais do que ninguém o cheiro de cada uma delas, seu olfato era extremamente aguçado. Sua árvore preferida era a cerejeira. Quando ainda éramos apenas duas crianças inocentes, eu podia ver Claire, do quintal de minha casa, brincando com seus pais ao redor da cerejeira imensa e magnífica, e assim que ela dava frutos, Claire os colhia junta de seu pai para que sua mãe fizesse aquele bolo de cereja que era famoso na cidade inteira.
- Você é mesmo boa nisso, hem?! – disse brincando. – Assim não tem graça! – deixei escapar uma risadinha, e logo dei-lhe um beijo no rosto.
- Sou uma pessoa abençoada por Deus, perdi minha visão, mas em compensação tenho um olfato e uma audição excelente, capaz de saber que já chegamos só de ouvir o som das águas da cachoeira se chocando contra o rio Nigiasy. – Me disse com um largo sorriso em seu rosto, logo botei minha mão sobre seu joelho esquerdo e apertei-o levemente. Sim, eu não estava conseguindo ainda ouvir o som da cachoeira, mas Claire já havia escutado, isso significava que estávamos perto de Kamarugo.
Assim que chegamos, parecia que os olhares de todos haviam voltado para nós dois. Comecei a diminuir a velocidade aos poucos, eu estava extremamente impressionado com a mudança que ocorrera naquela cidade em apenas dez anos, fora que as ruas de lá são realmente estreitas.
- A cidade realmente mudou, mas as ruas continuam a mesma coisa! – Claire riu baixinho, ela nem ligava mais para esses meus ataques de nervos repentinos.
- Por favor, Hideki, me diz como está Kamarugo, faz anos que não vejo a beleza de nossa cidade! – Claire me pediu isso dando um leve suspiro. Olhei para ela um pouco entristecido, e encostei o carro do lado da calçada, desligando-o em seguida. Me aproximei um pouco mais dela e passei meus dedos entre seus fios de cabelo, esse tinha uma beleza e um brilho descomunal, eram negros como o céu da meia-noite. Voltei meu olhar para fora e passei um braço por trás de Claire, envolvendo-a nele e encostando seu corpo no meu.
- O chão está praticamente coberto pelas flores de cerejeiras que ainda estão cobertas pelo orvalho da manhã. – Como Claire havia me pedido, comecei a descrever como estava nossa cidade naquele momento. – As crianças brincam pelas largas calçadas sem preocupações alguma, deixando essas para os seus pais que trabalham dando suas próprias vidas para sustentar o lar. O céu está com uma cor azul vibrante sem ao menos um vestígio sequer de nuvem, tendo nele um sol dourado e brilhante feito ouro iluminando e dando vida a cada centímetro de Kamarugo. As... - Parei por um momento ao perceber que uma estranha senhora de aproximadamente setenta anos nos observava ao longe, ela vestia um sobretudo preto que cobria todo o seu corpo, seu cabelo estava preso em um coque e era claro como a neve. Senti uma pressão um tanto forte em meu peito e fechei meus olhos, e ao abrir novamente pude perceber que aquela mulher não estava mais lá.
- O que foi, Hideki? Por que parou? – Perguntou-me Claire um pouco confusa.
- Não é nada, apenas não me senti bem por um momento, a viagem foi muito exaustiva. – Dei-lhe um beijo no topo da cabeça e a soltei de meu braço. Liguei o carro novamente e continuei o caminho numa velocidade baixa, admirando a paisagem da cidade. Pelo que eu me lembrava, já estávamos perto da casa dos meus pais.
- Bem, não se esqueça de passar em alguma floricultura antes, preciso agradar sua mãe, você sabe como ela me ama. – Me avisou Claire ironicamente.
- Eu sei, meu bem. Se não me falha a memória, logo em frente tem a floricultura da Manami-Senpai, isso se ela ainda estiver viva. – Soltei uma breve risada, e Claire logo deu um tapa em meu braço.
- Que horror! Ela não é tão velha assim, e a propósito, é uma senhora muito bondosa. Pessoas bondosas e honestas vivem por mais tempo. – Claire cruzou seus braços e riu baixinho, não agüentou segurar.
Manami-Senpai era uma senhora que colhia suas próprias flores em seu imenso jardim e as comercializava, inclusive para outras cidades. Apesar de sempre estar com um sorriso estampado em seu rosto, Manami era uma mulher que passou por episódios horríveis, como por exemplo, a perda de seus filhos e marido num acidente há muitos anos atrás. Dizem que Raiden, marido de Manami, e seus cinco filhos estavam a caminho da Cidade Grande para comercializarem as flores que ela havia colhido. Mas eles realmente não sabiam o que estava por vir naquele instante: uma tempestade tremendamente violenta, que até hoje é considerada uma das mais fortes nos últimos vinte anos aqui em Kamarugo. Assim que ela teve início, o cavalo que movia a carroça entrou em desespero e ficou impossível de ser controlado, ele corria completamente sem direção, até que... Raiden e seus filhos foram engolidos por um precipício. Ao saber dessa terrível tragédia, Manami-Senpai afastou-se das vendas por alguns meses, inclusive da cidade, ninguém mais a via direito. Mas após esse período ela reapareceu mais feliz do que nunca, como se nunca nada tivesse acontecido.
Logo em frente havia uma estradinha de terra que levava até a casa e a floricultura de Manami, e após algumas manobras, entrei com meu carro nela. Assim como as ruas da cidade, a estradinha era estreita, porém, do lado direito dela tinha um vasto campo com diversos tipos de flores, de uma simples rosa até a tulipa mais rara. Claire inspirou fundo para apreciar o aroma que aquelas flores exalavam.
- Que perfume! Não é à toa que as flores de Manami-Senpai são transportadas para outras cidades. – Disse Claire impressionada.
- Tem razão. – Respondi sorrindo. – Bem, chegamos! – Estacionei o carro em frente a floricultura e dei a volta nele para chegar do outro lado. Abri a porta para Claire e segurei levemente sua mão, ajudando-a a sair.

8 Responses so far.

  1. parabeins voce escreve mto bem. Relatar fatos qe mtos escritores nao escrevem. mas qe sao a grande realidade do mundo onde vivemos. O PRECONCEITO independente do que seja.
    ancioso para o 2º capitulo (:

  2. parabens! voce escreve perfeitamente. Estou anciosaaça para o cap dois, *-* /kkk oi!

  3. viviane says:

    muuito bom.. to super curiosa pra saber o 2° capítulo rs postaa *-*

  4. você escreve muito bem mesmo , parabens !

  5. Larissa Ravelli says:

    Parabéens, você escreve muitoo bem, coisa que poucos escritores fazem..
    achei interessante o seu jeito de contar e de expressar sua criatividade.
    ansiosa para o cap.2

  6. adorei o texto, eu escrevo textos tb, e posto num blog tb, e tipo, sei como é dificil, temos preocupaçoes como ortografia e et, mais vc tá de parbéns ok. améei *--*

  7. Unknown says:

    Gui, tá muito bom! Continua assim q vc vai longe
    Quero ver o q vai dar no 2º capítulo
    :D

  8. axei mto legal o texto. Tem alguns erros de gramatica mas nada que mata ninguem, ne? um dia vc pega o jeito e pans...
    mas o texto tah mto legal, vou continaur depois o cap 2...

    mas, tbm percebi uma coisa:
    mulher de sobretudo que some do nada? huum...vi isso em algum lugar. XDDD