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Capítulo 7 - Caelum

Três dias já haviam se passado depois daquela conversa com Yuki e Ami, apesar dela não ter terminado. Pelo menos não para mim, eu ainda queria fazer algumas perguntas. Dúvidas e mais dúvidas dançavam pela minha cabeça, me perturbando cada vez mais.
Eu e minha mulher logo de manhã decidimos fazer uma caminhada pelo parque da cidade, que ficava no centro dessa. Vestimos roupas leves e preparei a mochila, colocando duas garrafas de água gelada e dois potes que continham três maçãs, sanduíches naturais e torradas com geléia. O lugar era amplo e verde com árvores de todos os tipos e tamanhos, algumas coloridas, outras de um tom de verde mais claro, algumas com cores mortas e até mesmo aquelas sem folha alguma. Em toda sua extensão haviam trilhas feitas de blocos de pedra retangulares com musgo que se interligavam, pessoas de diversas idades passavam por elas todos os dias, principalmente no período da manhã. Elas caminhavam, trotavam, corriam, se exercitavam e na maioria das vezes estavam acompanhadas de seus cachorros. Na parte central do parque estava uma belíssima fonte feita de mármore branco que possuia três andares. No topo dela, no terceiro andar, havia um dragão chinês que ao invés de fogo soltava água pela sua bocarra. Era uma água fresca, cristalina e tranquila que caía silenciosamente para o segundo andar e por fim no primeiro, como uma cascata. Ao redor da fonte as pessoas costumavam se sentar e ler um livro, ficar respirando o ar puro ou qualquer outra coisa agradável, muitas até faziam um piquenique com os amigos e familiares.
Resolvemos parar ali e descansar, já havíamos andado bastante. Abri minha mochila e retirei uma garrafa de água que incrivelmente ainda estava gelada. Dei alguns goles e suspirei aliviado entregando ela para Claire, ela pegou delicadamente e tomou todo o resto que eu deixara, me devolvendo a garrafa vazia.
- Hoje está realmente um dia muito quente! - Comentou ela limpando as gotículas de suor em sua testa.
- É verdade. Se continuar assim podíamos ir para a praia amanhã.
- Eu acho uma ótima ideia! - Disse ela empolgada e com um sorriso grande no rosto. - Me dê uma maçã, por favor.
Ficamos ali sentados por um bom tempo conversando, rindo e nos amando. Por um momento eu me esqueci de todas as coisas estranhas que rodeavam Kamarugo, até que entre as árvores, ao longe, estavam meus pais. Ou melhor. Aqueles dois demônios, Kage e Kurayami, que queriam tirar a vida de Claire. Os olhos flamejantes e raivosos de ambos fitavam a princesa. Um ódio descomunal parecia correr em suas veias, uma sede de sangue incontrolável. Eram bichinhos de estimação de Jigoku e faziam tudo pelo seu mestre. A minha sorte foi que eles não me viram olhando para eles, pois meus olhos denunciariam toda a raiva e o medo que eu estava sentindo.
Num piscar de olhos tudo o que eu via sumira. O parque, Claire, os demônios e as pessoas se transformaram em um nevoeiro cinza que dançou pelo ar em círculos e dirigiu-se para o horizonte, desaparecendo. Restara apenas a escuridão e um ponto brilhante bem longe, como se fosse uma estrela solitária e grande na imensidão. O ponto brilhante estava cada vez mais perto, dobrando de tamanho. Sua luz era tão forte que chegava a machucar minha vista, apesar de me trazer uma sensação boa e diferente. Desviei meu rosto dessa luz, mas do outro lado havia outro ponto brilhante que se aproximava. Agora eram dois, chegou um momento em que tive que fechar meus olhos e os tampar com as mãos.
- Tenshi, abra os olhos e preste atenção. - Uma voz grossa e serena dirigia-se a mim. Primeiro retirei minhas mãos, e vagarosamente abri meus olhos.
Ao olhar o que estava em minha frente dei um pulo e me afastei para trás: era um homem com mais de cinco metros de altura. Sua pele era branca como a neve, os olhos esverdeados lembravam duas grandes esmeraldas, os cabelos compridos e negros caiam nos ombros e costas. Vestia uma armadura de prata brilhante como um diamante e grossa como um tronco de árvore, no peito havia o desenho de uma árvore em rosa claro, que lembrava muito uma cerejeira, em seu quadril estava embainhada uma espada que provavelmente media dois metros e meio. Do lado dele estava uma mulher com a mesma altura, a mais bela de todas as mulheres que já vi. A tonalidade da pele era um pouco mais apagada do que a do primeiro, seus cabelos eram encaracolados e louros, e chegavam até seus tornozelos, os olhos eram azuis como o fundo do mar e sua boca rubra, a qual se destacava. Vestia a mesma armadura prateada com o estranho desenho da cerejeira em rosa claro e em suas costas carregava um imenso arco feito de ouro.
Apesar do brilho forte que emitiam, com a ajuda das armaduras, minha vista parecia estar começando a se acostumar e até a gostar daquilo.
- Quem... O que são vocês? - Perguntei tremendo, me sentindo como se dois leões estivessem prontos para me matar. Os dois se entreolharam e riram.
- Aqui na Terra sou chamada de Ami. - Respondeu a mulher loura, que deu um giro leve e numa fração de segundos se transformou naquela senhora que eu conhecia. Minha sogra.
- E eu de Daisuke. - Respondeu o outro estalando os dedos, e em seu lugar aparecera Yuki.
Meu corpo inteiro se arrepiou, como se uma brisa gelada tivesse feito isso, ao piscar e abrir meus olhos novamente, lá estavam aqueles dois gigantes maravilhosos. Me levantei cuidadosamente e fiquei observando as duas figuras, eu não chegava nem a bater nos joelhos dos dois. Era incrível.
- Nós somos os guardiões da princesa como você já sabe, e estas são as nossas verdadeiras formas.
- Antes que você pergunte, esse vácuo em que estamos é a sua mente. - Informou o guardião. Eu não conseguia dizer mais uma palavra, mas como estavam em minha mente, isso não seria um problema.
- É o lugar mais apropriado para te orientarmos agora. - Começara a guardiã enquanto dava passadas leves e calmas em torno de mim, juntamente com o outro. - Kage e Kurayami tentarão matá-lo neste momento, pois descobriram que a força que os impediu durante anos de eliminar Claire, foi você.
- Manami descobriu que é você o grande protetor e informou à uma bruxa, a qual os demônios invocaram para ajudar na sua caça. Aliás, você já se encontrou com essa bruxa.
- E-eu?!
- Estamos em sua mente, sabemos de tudo o que você passou aqui em Kamarugo desde que chegaram. - Disse a guardiã sorrindo, parando em minha frente. - Você a viu nas ruas da cidade, e até mesmo na casa de Manami. Uma velha horrível vestida de preto.
- Então ela é a bruxa?!
- Sim. Ela não trabalha sozinha também. - Continuou o guardião. - As bruxas provêm de gênios, que são seres inteligentíssimos, elas conseguem persuadir as vítimas até a coisa mais horrível, prometendo trazer em troca tudo àquilo que desejam, mas com um preço.
- Um exemplo disso: Manami-Senpai. - Disse por fim a guardiã com uma expressão tristonha.
- O que ela fez com Manami? O que aconteceu? - Comecei a perguntar nervoso. A guardiã contou-me toda a história, porém não lembro exatamente de suas palavras. Então contarei com as minhas.
Tudo começou dois meses após a sua grande perda. A noite era fria e nevava forte, tão forte que quase era impossível enxergar um palmo diante do nariz. Ela estava sentada em uma poltrona de frente para a lareira em sua sala de estar, com as pernas cobertas por uma manta, segurando uma xícara quente de café. Havia pouco tempo desde que parara de chorar, por isso seus olhos estavam avermelhados e inchados. Sem estar esperando, a campainha de sua casa toca. Num susto coloca a xícara em uma pequena mesa, entre a lareira e a poltrona, e se levanta rapidamente ajeitando o cabelo e indo até a porta principal. Quando a abriu enxergou uma sombra com o formato de uma senhora, pois a neve era muito forte.
- Entre! - Gritou ela fazendo um gesto com a mão. A estranha figura entrara calmamente e permanecera imóvel no meio do hall. Bateu a porta e se virou em direção da pessoa que estava ali parada no meio de sua casa.
- Me desculpe pela inconveniência. - Disse tranquilamente a velha com sua voz rouca. - Me chamo Lyvian.
- O que a senhora deseja? - Perguntou Manami assustada para aquela velha horrível e deformada, vestida em preto até os pés.
- Bem, o que vim oferecer-lhe esta noite é de grande interesse seu. Somente seu e de mais ninguém. - Dizia a velhota, meio que andando e se rastejando até Manami.
- Desculpe, minha senhora. Mas não vou comprar nada. - Atropelou Manami, começando a abrir a porta, porém a velha se pôs na frente de Manami.
- Não estou aqui para lhe vender, mas para lhe conceder. Veja... - A bruxa empurrou Manami lentamente para trás e passou a mão no ar como se estivesse limpando uma janela. Ao fazer isso foi como se tivesse criado uma espécie de tela, onde nela passava algumas memórias de Manami com a sua família. Raiden e ela corriam com os filhos, pelos jardins da floricultura, rindo de alegria. Em outra cena estavam todos sentados à mesa numa ceia maravilhosa de natal, com um banquete suculento, brindando. As memórias passavam enquanto ouvia-se a voz da bruxa de fundo. - Dar-te-ei tudo isto novamente, assim que você ajudar-me finalmente. Basta apenas achar o escolhido, e terás tudo o que tiver me pedido. - Terminou isso, rasgando com suas unhas negras aquelas memórias de Manami que flutuavam no ar. Com essas palavras, a bruxa enfeitiçou a pobre mulher. É assim que essas bestas persuadem as vítimas.
- Se for para ter meus filhos e meu marido de volta, faço o que for preciso. - Dissera isso como se estivesse em transe, com uma voz áspera e sem vida.
- Você terá os seus amados de volta. Só terá um pequeno preço. - A bruxa abriu um sorriso sádico enquanto falava. - Manter minha imortalidade não é fácil... É necessária muita energia... Precisamente falando, necessito de almas, almas jovens... Como a sua, querida.
- Darei o meu corpo e minha alma para você! Tudo o que você quiser! - Gritou Manami se jogando aos pés da senhora. A bruxa jogou sua mão velha e feia para o ar, e isso fez como que Manami voasse para o teto, chocando-se contra o mesmo. A velha retorcia as mãos e as puxava para trás, como se estivesse tentando pegar algo. Ela pronunciava palavras em latim e a cada palavra uma mancha branca e grande saía de dentro do corpo de Manami e entrava no da velhota. A pobre viúva perdia toda a sua beleza e parecia ficar cada vez mais cansada e velha. A bruxa no fim soltou um grito estridente e Manami caiu no chão, de cabelos grisalhos e de pele enrugada. A bruxa não ficou bela e jovem, mas pelo menos uns 100 anos de idade ela perdera. Aparentava agora uma senhora comum de 65 anos.
- Quando terei eles? - Perguntou Manami levantando-se com dificuldade.
- Assim que tudo terminar terá sua recompensa. Agora, você possui poderes sobrenaturais, concedidos por mim para facilitar a sua busca. Te darei o prazo máximo de 10 anos, se não cumprir sua missão até lá... - Riu cinicamente a bruxa, continuando - Levarei você para as profundezas do inferno, aonde sofrerá durante toda a sua eternidade. - Manami se viu em um lago de fogo onde agonizava de dor, já não existia mais pele em seu corpo, somente a carne chamuscada e toda ferida. Mesmo que procurasse a morte, não a encontrava. Estava condenada. Piscou os olhos e se viu novamente em sua casa, mas a bruxa já não estava mais lá.
- Devo ter sonhado. - Suspirou ela aliviada, dirigindo-se de volta para a sua poltrona confortável. Passou em frente a um espelho e resolveu ver como estava. Assustou-se ao ver que estava velha e triste, com rugas por todo o rosto e com o cabelo grisalho.
Foi isso o que a guardiã me contara, mas eu ainda estava com uma pequena dúvida.
- Como ela descobriu que sou eu quem protege Claire?
- Isso não é o mais importante agora. Só posso te dizer que foi no dia em que vocês a visitaram. - Trovejou o guardião.
- Agora, prepare-se para a sua primeira batalha como Tenshi. Entregaremos para você a Caelum, sua espada celestial. - A guardiã disse isso juntando suas mãos grandes e belas com as fortes e grossas do guardião. Uma luz forte e dourada explodiu quando suas mãos se tocaram, seu cabelos esvoaçavam e a luz cada vez mais poderosa. Lentamente foram afastando suas mãos para trás, e naquela luz começara a sair uma espada de ouro, trabalhada com safiras e citrinos. Era maior do que a espada do guardião e também mais larga, a empunhadora parecia o rabo de um cometa. Era magnífica.
- Esperem, antes eu gostaria de fazer um pergunta. E quanto a Claire?
- O que tem ela? - A guardiã revirou os olhos.
- Bem, ela se lembra ou não de tudo isso? Quero dizer, de Sakura e essa história toda. Se eu aparecer agora com uma espada gigante e acabar com os meus "pais", o que ela vai fazer?
- Ela sempre soube de tudo, Tenshi. Ela é a futura rainha de Sakura, que pergunta idiota. - Respondeu a loura rispidamente.
- Não é bem assim, querida. - Falou o guardião para ela e depois se virou para mim. - Olhe, Claire não sabe que você, Hideki, é o Tenshi. É a única coisa de que ela realmente não sabe. Entendeu, agora? Não faria sentido apagar tudo da mente dela, é como se apagássemos o destino dela, a razão pela qual ela vive.
- Agora chega de perguntas, rapaz.
Pisquei e ambos já não estavam mais ali, somente a espada deitada no ar parecendo ser leve como uma pena.
- Pegue-a, é sua. - Ecoou a voz do guardião. Dei alguns passos hesitantes até ela e logo a agarrei. Percebi que minha mão começava a crescer, primeiros meus dedos esticaram, depois ela ficou larga e grande. O mesmo brilho dos guardiões começava a fluir em minha pele. Minhas pernas e meus joelhos doíam como se estivessem se quebrando em mil pedaços, mas eu olhei e vi que elas também estavam mudando de tamanho. E foi assim com todo o resto do meu corpo, enquanto eu gritava.
Minhas costas a principio ardiam, como se tivessem jogado uma caneca de água quente nelas e depois coçava, coçava e coçava. Passei minhas mãos sobre elas e senti dois caroços grandes, um de cado lado. Depois eles foram ficando maiores, maiores e algo começou a sair de dentro deles. Passei a mão naquilo e senti uma textura estranha, como de penas macias. Eram duas asas que estavam nascendo.
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Capítulo 6 - Revelação

Acordei assustado e suando. Eu me lembro de ter tido um pesadelo, mas eu não conseguia me lembrar exatamente de como ele era. Olhei para o meu lado e Claire não estava mais ali. Ela sempre acordou antes de mim, já que o seu trabalho começava duas horas antes do meu tínhamos horários de sono diferentes. Me sentei e limpei o suor do meu rosto com minha camiseta que estava jogada no braço do sofá. Os raios do sol penetravam na sala através de uma pequena abertura da cortina, olhei para o corredor e a porta do quarto de Ami e Daisuke estava aberta, porém o cômodo vazio. Cheguei a pensar que não havia ninguém na casa, até que:
- Hideki, venha até a cozinha! - Era o Yuki me chamando. Me levantei ainda sonolento e vesti minha camiseta branca. Parei na porta da cozinha e me encostei no batente, à mesa estavam sentados Ami e ele de frente para mim, respectivamente. No fogão havia uma caneca com água fervendo.
- Onde está Claire? - Perguntei.
- Ela queria ir na casa de uma amiga então a levamos. - Respondeu Ami com um sorriso sem graça, como se isso não fosse importante naquele momento.
- Ontem deixamos um assunto no ar, se lembra? - Daisuke me olhava fixamente enquanto falava, apenas respondi balançando minha cabeça. Me sentei de frente para ambos e bocejei, um pouco sonolento ainda. - Como eu disse antes, isso irá deixá-lo assustado e confuso. - Me alertou ele novamente.
- Você me disse isso ontem, mas eu não...
- Jovem, você sabe realmente quem somos e de onde viemos? - Essa pergunta era um tanto óbvia demais, sorri.
- Ora, vocês são os pais de Claire, minha esposa. E vocês vieram... Vocês vieram... - Eu não sabia de onde eles tinham vindo, e por incrível que pareça eu nunca perguntei nada sobre isso antes.
- Como eu pensei... - Daisuke disse isso e olhou para Ami, que o olhou de volta sorrindo.
- Nós viemos de Sakura. Um lugar bem distante daqui. - Completou ela.
- Bem, Claire nunca me disse e... De onde vocês vieram?!
- Sakura. - Ami respondeu num tom de voz sem vida.
- Eu nunca ouvi falar nessa cidade antes. Onde fica? - Eu estava confuso, assim como me disse Daisuke. Eles se entreolharam e riram como duas crianças, fiquei observando aquilo sem entender absolutamente nada.
- Não é uma cidade. - Me informou ele balançando a cabeça negativamente. Eu franzi minha sobrancelha e fiquei em silêncio, encarando-os.
- Me desculpem, mas aonde vocês querem chegar?
- Nós não somos desse planeta, Hideku-kun. Nós somos de Sakura. - Quando Ami me disse isso eu comecei a rir alto. Tapei minha boca com a mão rapidamente para parar e fiquei corado. Eles me olhavam seriamente enquanto eu passava vergonha. Eu me recompus e cocei minha cabeça, intrigado. Ficamos em silêncio por mais ou menos um minuto, eles não esboçavam nenhum sorriso, nenhum sentimento.
- Vocês... Vocês estão falando sério? Não é nenhuma espécie de pegadinha? - Minhas pernas começavam a ficar moles e minhas mãos trêmulas.
- Não, Hideki. Não estamos. - Confirmara Daisuke. - Nós nem mesmo somos os pais de Claire.
- Espera, quer dizer que...
- Não, nós não sequestramos ela e fugimos para cá. - Ami parecia ter lido meus pensamentos e logo me respondeu. - Fomos mandados pela rainha Hana, mãe biológica dela. Somos guardiões da princesa.
- O que?! - Dei um pulo na cadeira e permaneci estático.
- Nossa missão é protegê-la das mãos de Jigoku. - Disse Daisuke.
- Jigoku é o irmão mais novo de Hana, ele é um Kuro poderoso cujos planos malignos são dominar Sakura. - Continuou Ami.
- Espera, o que é um Kuro? - Eram muitas informações estranhas de uma vez só.
- No nosso planeta existem os Kuros e os Shiros, respectivamente conhecidos aqui na Terra como feiticeiros negros e feiticeiros brancos. - Explicou ela rapidamente. - Porém, Jigoku só poderá comandar Sakura se Claire morrer. - Ela deu uma pausa para que eu pudesse processar as informações, e logo depois continuou. - Na mesma noite em que Hana descobriu as intenções de seu irmão e nos pediu para vir à Terra com sua criança, Jigoku a matou. Agora, para completar seu desejo, basta matar Claire e assumir o poder em Sakura. - Comecei a ligar os fatos e fiquei mais confuso ainda. Eu não acreditava no que estava ouvindo.
- Mas ele não pode simplesmente, agora que não existe mais ninguém comandado o planeta, sentar no trono e governar? Ele não é tão poderoso?
- Não. Quando chegamos aqui em Kamarugo nós fizemos um sacrifício. - Enquanto Daisuke falava, Ami se levantava e voltava a preparar o café.
- Que espécie de sacrifício?
- Um Shiro nos acompanhou na viagem até aqui, e antes de partir nos disse que se quiséssemos que Sakura ficasse em paz até Claire crescer, eliminando seu tio e tornando-se a rainha, era preciso que neutralizássemos os poderes de Jigoku, para que não tivesse força suficiente para tomar posse do trono. Mas isso custaria um preço, a visão da princesa.
- Por que a visão?
- Os Shiros costumam fazer seus serviços benevolentes por um preço. São preços que jamais saberemos o significado. - Daisuke botou sua mão sobre a minha e suspirou. - Meu jovem, a parte em que você fica assustado é agora... - No instante em que disse isso eu engoli seco e enrigeci, sentindo um calafrio correr em minha coluna.
- Existem dois demônios enviados por Jigoku aqui em Kamarugo. Enviados para matar a princesa. - Ami virou e se encostou na pia, cruzando seus braços. - Seus nomes são Kage e Kurayami. - Me arrepiei ao ouvir o nome de ambos. Kage significa "sombra" e Kurayami "escuridão".
- Como eles não a mataram ainda?
- Sua presença os impede. - Yuki deu um largo sorriso.
- A minha? - Perguntei espantado. Por um momento me senti orgulhoso de mim mesmo. Desde que eu a vi pela primeira vez, jurei sempre protegê-la e amá-la, e isso pelo jeito eu estava fazendo muito bem.
- Você é a reencarnação de Tenshi, aquele que nasce quando o universo está em perigo. Aquele que nasce para extinguir as sombras. Você nasceu nesse planeta para proteger uma futura rainha de outro planeta, que por um acaso veio para este. - Eu?! Uma espécie de salvador do universo?! Isso foi o limite. Minha cabeça começou a girar, os batimentos do meu coração aceleraram, meu corpo começava a suar e a única coisa agora que eu conseguia ouvir era um zumbido agudo. Eu não estava mais sentindo meu corpo. Minha visão começara a ficar embaçada, e em seguida preta. Daisuke deu um estalo de dedos que fez com que eu voltasse ao normal imediatamente. - Controle-se, rapaz! - Olhei para ele com raiva.
- Não é fácil ter que ouvir isso tudo! - Suspirei forte, tentando aliviar toda aquela pressão. Me levantei num pulo e comecei a andar de um lado para o outro, me descabelando.
- Acalme-se, Hideki! Parece até uma donzela indefesa!- Ami terminou o preparo do café, aproximou-se de mim e me tomou em seus braços. - Você precisa acabar com esses demônios antes que eles te achem, te matem e acabem com Claire.
- E como EU vou achar eles? - Me soltei dos braços dela e me joguei na cadeira.
- Kage e Kurayami mataram seus pais. - Daisuke se levantou, apanhou uma xícara e depositou o café nela que estava em cima do balcão. Ami mordeu o canto do seu lábio, revirando os olhos, preparando-se para a minha reação,
- O QUÊ?! - Dei um tapa forte sobre a mesa e me levantei em outro pulo. - Como assim eles mataram os meus pais?! Vocês estão loucos?! - O desespero havia tomado conta de mim naquela hora, então quando eu pensei em sair para ir até a casa dos meus pais, Daisuke me puxou pelo braço. Sua força era incrível.
- Hideki! Seus pais foram mortos há 27 anos! - Ele gritava para que eu compreendesse de uma vez. - Kage e Kurayami vieram para a Terra um dia depois de nós. Eles precisavam tomar a forma humana para viver aqui, até chegar o momento certo e eliminar Claire. Para isso acontecer era preciso dois corpos humanos. E foram os dos seus pais. - Ele apertava meus braços com suas mãos. Meu corpo ardia de ódio. Uma lágrima correra pelo meu rosto. - Eles apagaram sua memória dessa noite em que os mataram, e na manhã seguinte, você continuou vivendo acreditando que eles eram os seus progenitores. Porém eles não sabiam, e continuam não sabendo, que você é Tenshi, e que é você que os está impedindo de matar Claire. - Meus olhos ficaram repletos de lágrimas, que logo começaram a sair incontrolavelmente. Daisuke me soltou e eu caí de joelhos no chão. Ami veio até mim e me ajudou a levantar, dando-me um abraço apertado.
- Você precisa exterminar essas bestas, Hideki. Seja forte! - Eu fechei meus olhos e escutei isso somente como um sussurro distante. Ao abrir meus olhos novamente eu estava deitado no sofá da sala, coberto com um lençol azul. Me sentei e joguei o lençol no chão. Passei minhas mãos em meu rosto e sorri, suspirando aliviado. Para mim aquela conversa não passara de um pesadelo. Daisuke, Ami e Claire estavam sentados à mesa da cozinha tomando o café-da-manhã, conversando e rindo.
- Bom dia! - Falei extremamente feliz.
- Bom dia, amor! Está se sentindo bem? - Claire me perguntou sorrindo, seus dentes cintilaram.
- Melhor do que nunca. Apesar deu ter tido um pesadelo estranho essa noite.
- Querido, você desmaiou ontem de manhã e acordou somente agora. Por que isso? Mamãe e papai não me disseram o motivo, mas...
- Como é? - Meu coração palpitou forte e olhei para os dois, que sorriam feito bobos para mim. - Então quer dizer que... - Ami e Daisuke balançaram a cabeça positivamente. Eu não tive pesadelo coisa alguma, como sempre eu somente havia desmaiado, e dessa vez havia sido por um tempo maior.
Passei o resto do meu dia assistindo televisão, que por sinal não havia nada de interessante passando. Mas na verdade eu estava mais perdido em meus pensamentos do que prestando atenção em alguma coisa. Além de existirem dois demônios na casa ao lado, vulgo casa dos meus falecidos pais, eu era responsável pela salvação de Sakura. E droga, Claire e seus "pais" eram extraterrestres. Aquilo que eu vira na cidade, de homens correndo desesperados, era nada mais nada menos do que homens correndo de Kage e Kurayami que estavam atrás de mim, me caçando. Eu comecei a rir baixo sozinho, inconformado com essa loucura toda. E ri ainda mais por estar acreditando nessas coisas.
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Oi galeraaaa! Eu sou a Suh Bombom Pimentinha e hoje eu vou mostrar pra vocês um blog, um blog daquelas que são baixa, daquelas recalcadaaaaaa! ( não entendeu? clique aqui )
Como podem ter percebido eu alterei a aparência do blog, acho que vocês também já estavam ficando enjoadinhos de um blog lindo como esse tão escuro e sem vida, certo? AHORA SEUS PROBLEMAS ACABARAM, MUCHACHOS! Essa versão nova tá supimpa e de mais fácil acesso.

Presumo que o que mais deve estar chamando a atenção de vocês é esse esquema de fotos com frase que está acima dos posts e abaixo do layout, certo? É, é a parte que eu mais gostei do meu blog, tanto é que as coisas que eu mais curto estão ali. É tipo um: "Se vocês falarem mal de alguma dessas cinco fucking coisas eu arranco o cabaço de vocês" Assim, por exemplo:














Aqui no blog agora tem uma parte especial chamada "Contos da Vó Dita" na qual estão os capítulos de Sakura, um pequeno livro ou conto (oque você quiser) que estou escrevendo. Escrever não é fácil, é preciso criatividade e disposição, por isso não fiquem me pressionando para postar logo outro capítulo. Fora que tem revisão e tudo mais. Quando vocês menos esperarem eu anuncio pelo twitter a postagem de um novo chapter, beless?

Toda sexta-feira vou atualizar o blog com alguma coisa que me der na telha, já tenho algumas ideias, mas se preferirem podem me mandar sugestões do que vocês quiserem pelo meu twitter. Se for alguma coisa que me chame a atenção eu posso publicar aqui, hehe.

Bem, acho que é só isso por hoje, não esqueçam de visitar os links que coloquei nos Favorites! :)
LIVEBUDIE!
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Capítulo 5 - Mistério

Ami estava em frente ao fogão apoiada com as mãos no mesmo enquanto a água fervia na caneca, enquanto Claire e eu trocávamos algumas carícias e palavras românticas. Mesmo entretido com ela, eu não pude deixar de notar o olhar distante e triste de Ami, observando o sol se por entre as montanhas de Kamarugo - os primeiros sinais da escuridão começavam a aparecer - e os pássaros voando pelo céu de volta aos seus ninhos, dando seus últimos cantos do dia. Claire desentrelaçou suas mãos das minhas e repousou sua cabeça em meu ombro, suspirando com um sorriso meigo ainda imóvel em seu rosto. Ami sacudiu a cabeça como que para se livrar dos pensamentos que a deixavam naquele estado e girou o botão do fogão, desligando o fogo que fervia a água para o café.
- Vocês vão passar a noite aqui hoje. - Ordenou ela enquanto pegava uma faca afiada para abrir o saco de café em pó.
- Mas eu prometi para a minha mãe que passaríamos a noite com ela e com meu pai. - Repliquei.
- Ótimo, então Claire ficará comigo e você pode ir para a casa de seus pais. - Claire desencostou sua cabeça de mim e endureceu sua coluna, tentando compreender a mãe. - Afinal, estou morrendo de saudades dela. - Continuou ela abrindo um sorriso alegre e espontâneo que fez todas suas rugas explodirem em seu rosto, como se isso fosse disfarçar o que ela realmente queria. O que nenhum de nós dois sabíamos o que realmente era.
- Tudo bem, mãe. Eu fico com você hoje, ainda quero ver meu pai e Hideki precisa ir daqui a pouco.
- Não. - Interrompi - Eu vou ficar com você, amor. - Passei meu braço em suas costas e olhei para Ami - Vou ligar para os meus pais, acho que eles não vão se importar, vocês são vizinhos mesmo.
- Ótimo, acho melhor assim. - A Sra.Kinoshita terminara de preparar o café e o depositou em uma cafeteira cuidadosa e lentamente. Abriu uma gaveta no balcão e apanhou uma toalha branca, estendendo ela sobre a mesa.
- Onde dormiremos, mãe? Ainda tem o meu quarto aqui?
- Não, meu anjo. O seu quarto virou um depósito de bugigangas do seu pai. - Respondia ela enquanto pegava um pote grande de bolachas doces no armário. - Parece que pegou mania de colecionar tralhas depois de velho. - Revirou os olhos bufando, colocando o pote sobre a mesa.
- Aliás, aonde é que ele está mesmo? - Me intrometi descaradamente no assunto.
- Ele está... Ele está com os amigos. - Ela abriu a sacolinha onde coloquei as cerejas e as despejou em um pote pequeno de vidro, colocando elas na geladeira. - Vocês podem dormir no sofá da sala, é pequeno, mas como está frio não vai ser um problema vocês dormirem apertadinhos. - Percebi que mudou de assunto rapidamente. Ela soltou uma risadinha maliciosa e Claire colocou a mão na testa, suspirando um pouco envergonhada.
- Ai, mãe! Como a senhora é, hein? - As duas começaram a rir juntas e eu me envolvi nessa, mas na verdade eu não estava rindo, estava preocupado.
O véu negro da noite acabara de recair. Ela e eu estávamos deitados em um sofá velho de couro marrom assistindo à um programa de videoclipes - a televisão estava em péssimas condições, por isso eu nem estava prestando muita atenção, o que valia era estar junto de Claire -, cobertos com uma manta bege e confortável. Coloquei minha mão suavemente em sua barriga e puxei-a mais junto do meu corpo, encostando meus lábios em seu cangote. Seus olhos estavam começando a pesar e desliguei a televisão, relaxando meu corpo e grudando meus olhos.
Comecei a pensar em todos os fatos que estavam cercando a cidade. Primeiramente a velhota misteriosa que aparecia e sumia, o que me deixava com muito medo, era como se ela pudesse se teleportar ou entrar em uma espécie de portal dimensional, ou então era apenas um espírito - o que era um pouco comum aqui. Depois Manami, a florista que perdeu toda sua família em um acidente e caiu em depressão psiquiátrica forte, mas parece que isso não foi um problema, pois dias depois parecia estar curada e mais feliz do que o normal. Além disso, a viúva envelhecera precocemente em míseros dez anos, e mesmo estando se demonstrando feliz, estava mergulhada e perdida em uma profunda tristeza e arrependimento.
Claro, os homens da cidade que fugiam como presas de seu predador. Ainda era um mistério para mim, eram muitos. Eram mais ou menos quinze. E um deles havia sido raptado. Acabei decidindo que logo pela manhã, assim que o sol desse as caras eu iria à delegacia da cidade e denunciaria. Providências quanto àquilo deveriam ser tomadas. Não poderia cruzar meus braços e continuar assistindo pessoas sendo perseguidos sabe lá pelo quê.
O interruptor da sala fez um "clique" e a luz se acendeu, penetrando em minhas pálpebras rapidamente, o que fez abrir meus olhos. Levantei apenas meu tronco apoiando minha mão direita no braço do sofá e, com a esquerda, fiz uma concha para proteger os meus olhos da luz, acima das sobrancelhas e, com dificuldade, percebi que a figura que estava em pé ao lado da porta era Daisuke, o senhor da família Kinoshita, o pai de Claire. Meu sogro. Seus olhos fixaram-se nos meus e um sorriso lentamente foi aflorando em sua boca, seus dentes eram brancos como a neve e por isso eu costumava chamá-lo de Yuki, que quer dizer neve. A pele enrugada e o cabelo grisalho não mudaram desde a última vez que o vi. Era um grande amigo meu, talvez, o meu melhor amigo. Por um breve momento seus olhos correram em direção a filha, mas logo voltaram para mim. Estavam arregalados e mais pretos do que nunca, enquanto tirava suas sandálias para entrar em casa. Me ergui mais um pouco tomando cuidado para não incomodar o sono de Claire e me retirei do sofá, ficando em pé em frente do mesmo - esticando o meu corpo discretamente - com minha bermuda azul-marinho de dormir. Somente de bermuda, o que era um tanto que constrangedor. Seus braços se levantaram lentamente e logo sua voz estrondosa ecoou pelo ambiente:
- Meu rapaz! Mas que surpresa! - Me aproximei dele mais um pouco e o abracei, sentindo toda sua positividade correr em meu corpo. Naquele momento, ao sentir toda essa sensação, me perguntei por que eu ficara mais feliz e confortável em me reencontrar com Daisuke do que com meus próprios pais.
- Como você está, Yuki? É bom vê-lo novamente!
- Estou velho demais, meu filho. Para ser sincero já estou fazendo hora extra na Terra. Mas na verdade ainda tenho muito o que fazer, e só vou partir quando tudo estiver no lugar. - Ainda com o sorriso no rosto, sua mão larga, e ao mesmo tempo frágil, repousou em meu ombro. Era bastante bonito e grande para um senhor de setenta e poucos anos. Ele olhou para Claire e sorriu discretamente, dando um suspiro.
- Quando tudo estiver no lugar?
- Sim.
- O que você precisa resolver?
- Bem, meu filho... Isso pode te deixar um pouco assustado, mas eu e a mãe de Claire...
- Daisuke! Você chegou! Estava começando a ficar preocupada! - Ami apareceu na sala interrompendo completamente o que Daisuke dizia.
- Ami, você sabe que meu trabalho é estressante. E olá para você também. - Respondeu ele.
- Mas você não estava com seus amigos? - Mais uma vez me intrometi em assuntos familiares.
- Eu? - Ele olhou para Ami que lhe balançou a cabeça positivamente. Óbvio que era mentira. - Sim... É, eu estava! Estava jogando poker!
- O seu trabalho deve ser estressante mesmo, hein? Você chega a pensar que está trabalhando enquanto se diverte. - Disse isso rindo, fingindo acreditar na mentira descarada dos dois. Ami e ele se entreolharam e sorriram para mim.
- Preciso de um banho quente e relaxante. Se me dão licença, preciso ir. - Disse Daisuke.
- Eu já aqueci a água da banheira, querido.
- Obrigado, Ami. Boa noite, Hideki. - Ele deu meia volta e seguiu pelo corredor em direção ao seu quarto.
- Ele praticamente está a mesma coisa desde a última vez que o vi. - Comentei.
- É verdade, ele é um homem bastante forte.
- Antes de você entrar ele ia me contar algo sobre você e ele, e que poderia me deixar um pouco assustado de início. - Tomei coragem e retomei aquele assunto, eu estava curioso demais. Ela paralisou e fechou sua mão com força, um pouco nervosa.
- Hideki, eu estou cansada. Conversamos sobre isso amanhã, ok? Os três. - Ela sorriu amigavelmente - Boa noite!
- Boa noite, Ami. - Enquanto ela ia para o quarto, eu apagava as luzes e me deitava novamente no sofá com Claire, impaciente.
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Capítulo 4 - Pesadelo ou Premonição?

Tudo estava no lugar, a casa estava limpa - apesar de velha - e nada de anormal por enquanto. Andamos um pouco pelo hall, o silêncio era absoluto, nem mesmo nossos passos escutávamos direito. Ela estava um pouco escura e eu não sabia onde estavam os interruptores, então continuei andado cuidadosamente. Claire estava extremamente preocupada, grudada em meu corpo e tremendo feito uma criança de cinco anos assistindo a um filme de horror. Passei um braço em sua cintura e a apertei em meu corpo demonstrando que enquanto eu estivesse por perto, ela estava segura.
- Acalme-se, amor...
Andamos mais um pouco pela casa, até encontrar um corredor com uma porta branca em seu final. Ela estava semi-aberta, e dela saia uma fresta de luz.
- Tem uma porta no final do corredor, a luz de lá está acesa. - Claire apertou meu braço.
- Vamos até lá então... Mas cuidado...
Entramos no corredor e começamos a andar por cima de uma passadeira branca, para abafar mais ainda o som dos nossos passos. As paredes possuiam tons de ferrugem - puxado mais para o vermelho - e era visível que ela estava precisando de uma nova pintura, além de imunda estava descascando. Dezenas de quadros com molduras douradas e alguns artesanatos estranhos a enfeitavam, como se fosse para ofuscar o estado dela, uma tentativa inútil já que o efeito foi o contrário. Ao chegar perto da porta a empurrei devagar, enquanto segurava a cintura de Claire com a outra e ao olhar, percebi que ali era um quarto, provavelmente dos pais dela. Por sorte, o chão era forrado por um carpete extremamente macio, não precisávamos mais nos preocupar com o barulho dos sapatos.
- Onde estamos?
- No quarto dos seus pais. - A soltei e botei minha mão sobre o seu rosto. - Fique aqui, vou dar uma olhada. - Ela se encostou na porta e cruzou os braços. Dentro havia outra porta, esta estava completamente aberta, a luz branca vinha de lá. No chão, bem do lado da cama, um par de chinelos azuis e de pantufas cor-de-rosa. Percebi que a cama estava desarrumada, e um lençol amarelo florido deslizava por ela até tocar o chão, me aproximei e botei minha mão sobre o colchão, estava quente, certamente alguém estava deitado ali havia pouquíssimo tempo.
- Seus pais estão aqui. - Sussurrei.
- Como você sabe, Hideki? - Perguntou ela, suspirando suavemente.
- A cama está toda bagunçada, alguém estava deitado nela.
Meu olhar foi para um pequeno criado-mudo do lado direito da cama com um pequeno porta-retrato preto. Fui até ele com passos curtos e calmos e peguei o retrato em minha mão. Era uma foto de Claire sentada em um balanço feito com pneu, quando ainda era criança. Lembranças começaram a passar pela minha mente, lembranças de uma fase de inocência e aprendizado. Foi nesta fase em que conheci Claire, a fase em que prometi para mim mesmo que sempre a amaria e protegeria.
De repente, um barulho nos chamou a atenção. Um som grave e constante, como se fosse de água chocando-se contra um piso de cerâmica. Coloquei a foto deitada sobre a cama e comecei a seguir este tal barulho, e ao me dar conta, eu já estava dentro de um banheiro - que ficava dentro da tal porta aberta, dentro do quarto -. Eu mal podia enxergar, o vapor d'água me impedia, mas pude ver roupas íntimas de uma mulher jogadas no chão. Saí de lá e fechei a porta, encontrando-me novamente no quarto.
- Sua mãe está no banho, presumo. - Peguei na pequena e fria mão de Claire e a conduzi até a cama, fazendo com que se sentasse.
- Como você sabe que é ela?
- Poxa, fique calma! Quem mais poderia ser? No máximo o seu pai, mas o seu pai não usa camisola, eu acho.
- Idiota. - Ela colocou a mão na boca, tentando esconder a risada que era quase que imperceptível. Andei um pouco pelo quarto e parei em frente a um espelho enorme que havia em frente à cama, do lado da porta. Ajeitei meu cabelo e dei alguns tapas leves em meu rosto, para eu permanecer por mais algum tempo acordado. Bocejei fechando automaticamente meus olhos, levantando meus braços para o alto para esticar meu corpo, ao abri-los novamente vejo pelo espelho Claire ainda sentada na cama - alisando o cabelo -, estiquei um sorriso no canto de meus lábios e a fiquei observando. Ela era perfeita. Parecia até mesmo um anjo de cabelos negros sentada em uma mera cama.
A janela se abriu devagar deixando o vento entrar com força para dentro do quarto, fazendo as cortinas dançarem pelo ar. Claire se assustou e colocou a mão no peito. Em fração de segundos dois seres vestidos de preto saíram debaixo da cama e a agarraram, um ficou sentado em sua barriga enquanto o outro segurava os braços dela, imobilizando-a. Eles usavam uma espécie de máscara branca, feita provavelmente de porcelana. Me virei e pulei sem pensar duas vezes para cima dos dois. Mas um deles percebeu e me empurrou para longe com o braço, arrancando com a outra mão um punhal. Me choquei contra a parede e fiquei jogado no chão. Claire gritava e chorava, debatendo suas pernas. Mas nada eu podia fazer. Eles começaram a rir por eu nem mesmo conseguir proteger o amor da minha vida. Ele ergueu o punhal com as duas mãos para o alto em direção ao peito de Claire, acertando seu coração. O sangue espirrara por toda a parte, e agora, as máscaras brancas estavam tingidas de vermelho. Dei um grito forte e comecei a chorar, foi aí que eu acordei, e percebi que era tudo somente um sonho. Ou melhor. Um pesadelo. Eu ainda estava em frente ao espelho e Claire sentada na cama, cantarolando baixinho. O chuveiro foi desligado e o vapor começou a sair lentamente pela porta, espalhando-se pelo dormitório.
Me aproximei dela arrastando meus pés, eu estava tendo mais uma de minhas tonturas, e logo caí no chão. Pude ouvir ao fundo Claire me chamando, ou melhor, gritando meu nome.
- Claire?! - Era a voz de uma mulher. De uma senhora, melhor dizendo. Eu ainda podia enxergar, porém tudo embaçado, essa mulher estava em frente a porta do banheiro. Então era ela quem estava tomando banho, era a mãe de Claire.
- Mamãe?! - As vozes pareciam estar cada vez se distanciando mais e mais. Até eu desmaiar de vez. A última coisa que eu me lembro de ter visto, foram as duas se aproximando de mim.
Após um tempo indeterminado eu abri meus olhos cuidadosamente, de tanta dor que eu estava sentindo. Eu estava deitado na cama de casal com a cabeça apoiada em dois enormes e macios travesseiros, coberto pelo mesmo lençol amarelo florido ridículo que havia visto. Estiquei meus braços com dificuldade e bocejei, sentando-me na beirada da cama.
- Ele vai ficar bem, querida.
- Eu sei, mãe! Mas não é normal ele desmaiar, não com uma simples tontura. -
Claire e Ami, sua mãe, conversavam da cozinha. Me levantei e praticamente arrastei meus pés até a porta que estava encostada, abrindo-a. Segui até a cozinha e me juntei com as duas, as quais ficaram me encarando estranhamente.
- Você está bem, Hideki? - Me perguntou Ami
- Acho que sim. Só minha cabeça que está doendo um pouco. - Mentira, meu corpo inteiro estava doendo, mas não queria deixá-las mais preocupadas.
- Você me deu um susto! - Claire me abraçou com força, me fazendo gemer de dor, logo me surpreendendo com um toque de lábios. Alisei seu rosto e puxei-o para mais perto, sussurrando: "Você quem me deu um susto". Ela me olhou confusa e sorriu. Ami colocou a mão em meu ombro e me virou em sua direção.
- Agora me dê um abraço rapazinho! - Ela ergueu seus braços e fez um gesto com as mãos para eu abraçá-la. Meio que sem jeito eu a abracei. - Agora me prometa não desmaiar mais feito uma velha reumática! - Enquanto Claire ria, eu não sabia onde me enfiar de vergonha, analisando melhor, foi realmente uma atitude constrangedora, mas... não pude fazer nada para impedir que acontecesse.
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Capítulo 3 - Oto-San! Oka-San! ( Pai! Mãe!)

Claire ligou o rádio em sua estação preferida - de música clássica -, e encostou sua cabeça no banco, como de costume, fechando os olhos. O sol estava começando a se por e as primeiras estrelas começaram a aparecer. Minha cabeça não parava de pensar no que poderia estar acontecendo com Manami, mas eu tinha a certeza de que aquela senhora idosa que eu havia visto na cidade e logo após em frente a floricultura tinha alguma ligação.
Saímos da estradinha de terra e continuamos a seguir a rua de antes, até cairmos na rua principal do centro da cidade, que por sinal estava completamente vazia, o que era de se estranhar. Lembro-me que essa era uma das ruas mais movimentadas da cidade até mesmo na "calada da noite", era um grande ponto comercial - inclusive onde meu pai costumava trabalhar -, o ponto de lucro de Kamarugo. Dei de ombros, afinal, passaram-se dez anos mesmo.
Por fim, após alguns minutos, a noite chegou acompanhada de uma brisa gelada. Diminuí a velocidade, peguei meu casaco bege no banco de trás e cobri Claire com ele. Liguei os faróis e avistei em frente alguns rapazes que corriam de alguém ou algo, percebi que um deles fora pego por alguma coisa negra e sem forma, arregalei meus olhos e acelerei rapidamente.
- Onde estamos Hideki?
- Estamos perto, literalmente. - Respondi. Ela sorriu e apertou forte as margaridas em suas delicadas mãos, parecia estar ansiosa para ver seus pais e provavelmente os meus. Achei melhor não falar sobre o que eu acabara de ver há poucos segundos atrás, poderia assustá-la.
A rua estava coberta pelas flores de cerejeira, que obviamente vinham da única do bairro, a do quintal de Claire. Encostei meu carro na calçada, exatamente em frente à casa dos Kinoshita. Saímos do carro. Claro que não pude deixar de perceber a cerejeira. Ela balançava suavemente conforme o vento, estava até mais bela do que antes. Era bem chamativa e impossível de não roubar olhares.
- Sua cerejeira continua "de pé".
- Não consigo sentir o cheiro dela.
- Como não?
- Não sei, só não consigo. - Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto eu olhava para ela um pouco surpreso. Ela possuía um olfato incrível e simplesmente não sentia o cheiro de sua árvore preferida. Sua ligação com as cerejeiras era forte demais, todos ficavam admirados com isso, diga-se de passagem. Talvez ela estivesse com o nariz entupido.
- Vamos ver sua mãe primeiro?-Perguntei para ela.
- Quero entregar as margaridas logo para sua mãe. - Me respondeu sorrindo, logo cruzando seu braço com o meu. Andamos alguns metros até a casa dos meus pais, no máximo dez, era do lado mesmo. Roubei-lhe um selinho e toquei a campainha. Não obtivemos resposta alguma, então toquei mais uma vez.
- Haruko! Atenda a porta, estou ocupado! - Pude ouvir meu pai berrando para minha mãe.
- Claro! Jogar Gô com seu amigo é mais importante! - Respondeu minha mãe extremamente nervosa. Pelo que eu me lembre, meu pai joga Gô com esse amigo desde que me conheço por gente. É um jogo muito complexo de estratégia, podendo levar até anos para o fim de uma partida, e era o que estava acontecendo por sinal.
- Mas é claro que é! - Retrucou meu pai.
- Como assim "mas é claro que é"?! Você deveria parar de ser um velho preguiçoso e...
- Parem vocês dois, eu atendo! - Interrompeu o amigo do meu pai. Seu nome era Shinzuki Kinomoto, era bastante conhecido na cidade, no estado e conseqüentemente no país. Ele sempre foi um homem extrovertido e gentil, apesar de sempre estar devendo dinheiro para alguém. Provavelmente devia até a cueca que usava. Isso que o deixava conhecido, entende? E ele não devia por que era desafortunado, muito pelo contrário, era rico. Era ganancioso e safado, como meu pai costumava dizer.
Eu e Claire estávamos rindo dos meus pais, sabíamos que apesar de sempre estarem discutindo por qualquer coisa eles eram apaixonados um pelo outro. Sempre após uma discussão os dois ficavam se paparicando, o que acabava causando enjôo para quem visse.
Shinzuki abriu a porta, nos encarou e imediatamente arregalou os olhos, fechando-a novamente.
- O que foi isso? - Me perguntou ela.
- Acho que Shinzuki ficou um pouco surpreso com nossa volta. - Respondi um pouco confuso.
Shinzuki abriu a porta novamente e ficou nos observando.
- São vocês mesmo?! - Perguntou ele com os olhos ainda arregalados, esfregando eles com uma mão para ter certeza de que não era apenas coisa de sua cabeça.
- Olá, Shinzuki! Há quanto tempo. - Me curvei e sorri para ele.
- Boa noite, Shinzuki-San! - Cumprimentou Claire.
- Oh, meus pequenos! São vocês mesmo! Vocês voltaram! - Abriu um largo sorriso e nos deu espaço para entrarmos - Entrem, entrem! Mas que surpresa!
Entrei em casa. No momento em que botei meu pé dentro dela eu me senti diferente, comecei a ter um momento de nostalgia e suspirei. Ela estava diferente, completamente reformada. Era bom estar em casa de novo. Tiramos nossos sapatos e fomos silenciosamente até a sala de estar, para fazer uma surpresa para os meus pais. Claire estava com a mão para trás escondendo as margaridas e então entramos na sala. Por incrível que pareça, os dois ainda estavam discutindo.
- Amanhã você vai arrumar aquele jardim! - Ordenou minha mãe para o meu pai.
- E por que você não faz isso? - Perguntou ele.
- Por que eu...
- Oi, mãe! Oi, pai! - Disse em um tom baixo, para que eles não se assustassem.
Eles imediatamente pararam de discutir e voltaram seus olhares para nós dois.
- Hideki! Claire! - Minha mãe veio correndo em minha direção com seus braços abertos e com os olhos cheios de lágrimas. Ela agarrou em meu pescoço e me encheu de beijos - Quanto tempo, meu filho! Que saudades eu estava de você! - Fiquei um pouco corado e retribui o abraço. Meu pai veio logo em seguida com aquele seu jeito durão de sempre e estendeu a mão para mim.
- Olá, meu filho. - Disse ele. Peguei em sua mão e assim ficamos nos olhando por um tempo. Ele sorriu e me puxou para os seus braços, me abraçando fortemente. - Nunca mais suma desse jeito, Hideki!
- Tudo bem, pai.
- Olá, Claire! - Minha mãe abraçou Claire e deu-lhe um beijo no rosto.
- Olá, senhora Matsumoto! - Sorriu ela, entregando-a as margaridas - São para a senhora, espero que goste!
- Como são lindas! Margaridas são minhas favoritas! - Agradeceu minha mãe - Vou colocá-las em meu quarto. - E lá foi ela até seu quarto, provavelmente colocar as margaridas em algum vaso com água. E enquanto isso, meu pai cumprimentava Claire. Shinzuki estava sentado à mesa, esperando meu pai terminar o momento familiar e voltar para a partida de Gô, apesar de ele estar quase dormindo sentado.
- E as coisas na cidade grande? - Perguntou meu pai.
- Estamos financeiramente bem, temos nossa casa própria próxima, os nossos trabalhos e um carro último modelo. - Respondi - Foi uma boa escolha termos ido tentar nossa vida lá, não temos do que reclamar.
- Estou muito orgulhoso de vocês, Hideki! - Sorriu ele, dando um leve tapa em meu ombro - Bem, vou voltar para minha partida de Gô. - Meu pai juntou-se à mesa com Shinzuki novamente e ambos continuaram a jogar, os dois não pronunciavam uma palavra sequer.
- Estranho seus pais terem me tratado bem. - Disse Claire bem baixinho para que não ouvissem.
- Kamarugo mudou, temos que nos acostumar com essas mudanças. - Sorri, abraçando-a.
- As flores ficaram lindas em meu quarto! Deu uma avivada no ambiente! - Voltou minha mãe repleta de felicidade.
- Que bom que a senhora gostou, Haruko-San! - Disse Claire.
- Vocês deram uma bela de uma reformada na casa. - Comentei
- Sim, a aposentadoria do seu pai está mais alta do que o salário dele de quando trabalhava. - Riu ela discretamente.
- Que bom, mãe. Vejo que vocês estão levando uma vida boa e feliz. Vocês estão num auto-astral incrível.
- Isso é verdade. - Sussurrou Claire. Dei um beliscão no braço dela disfarçadamente, minha mãe estava feliz, mas era bom não abusar tanto.
- Vamos visitar os pais de Claire agora e depois nós voltamos para passar a noite aqui.
- Tudo bem, meu filho. Não demore, o tempo está voando e eu estou morrendo de saudades de vocês.
- Ok, mãe! Até logo!
- Até daqui a pouco, senhora Matsumoto! - Despediu-se Claire.
- Até, meus queridos!
Colocamos nossos sapatos e saímos.
- Sua mãe com saudade de mim? - Perguntou Claire rindo.
- Ora, ela está muito feliz com minha volta, só está sendo simpática.
- Bem, é verdade.
Andamos em direção até a casa dos pais de Claire. Percebi que ela estava escura e velha, como se estivesse abandonada e estranhamente comecei a sentir uma dor no lado direito do peito. Ela percebeu.
- O que foi Hideki? Está se sentindo bem? – Perguntou preocupada, colocando a mão em meu rosto.
- Só estou cansado, meu amor. -Apertei meu peito para amenizar a dor e toquei a campainha da casa. Tocamos mais algumas vezes e nada - Acho que eles não estão Claire.
- Impossível, onde eles estariam?
- Podem estar viajando, é época de férias.
- Eles odeiam viajar, você sabe.
Toquei mais duas vezes a campainha e a porta se abriu, fazendo um barulho assustador, porém, estava vazia.
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Capítulo 2 - A estranha Manami-Senpai

O local era realmente maravilhoso. O campo florido da estradinha tinha continuidade atrás da floricultura e da casa, era uma vista belíssima. E para Claire aquele lugar possuía um perfume incrível. Apertei forte sua mão, entrelaçando-a com a minha e sorri, colocando a outra em meu bolso.
- Aposto que a flor preferida da sua mãe é margarida. – Disse Claire sorrindo – Me lembro de uma vez ela dizendo ao seu pai que as margaridas que ganhara da mãe haviam murchado, e parece que ela estava bem triste com isso.
- Poxa, quer ler minha mão também? – Soltei uma risada e Claire mostrou a língua.
Continuamos andando, a brisa do vento batia em nossos rostos esvoaçando nossos cabelos, como se estivesse nos acariciando.
Abri lentamente a porta de entrada da floricultura, um sininho soou para avisar que algum cliente havia chegado. Avistei Manami atrás de seu balcão, estava ajeitando as flores nas prateleiras e cantarolava uma música típica de nossa cidade. Ela parecia bem pálida e envelhecida, aparentava estar com aproximadamente oitenta anos.
- Manami-Senpai, há quanto tempo! – Disse isso um pouco alto para que ela pudesse me ouvir e sorri. Ela parou por um momento e voltou seu olhar para nós dois. Parecia que não estava acreditando no que estava vendo, deu a volta em seu balcão e estendeu suas mãos, como se quisesse dar um abraço em mim e em Claire.
- Oh, meu Deus! Não acredito como vocês cresceram! Continuam lindos e jovens. - Ela nos abraçou ao mesmo tempo e Claire sorriu, dando-lhe um beijo no rosto.
- A senhora continua aquela mulher com um cheirinho irresistível, Manami! – Elogiou Claire. Manami abaixou sua cabeça um pouco entristecida e logo olhou pela janela o lado de fora.
- Continuo com um “cheirinho irresistível”, mas estou velha desse jeito com apenas cinqüenta e três anos.
Ao Manami dizer sua idade eu me espantei, apertando suavemente a mão de Claire. A pele dela estava caída e enrugada, seus cabelos estavam grisalhos e seus olhos sem brilho algum. Como alguém com cinqüenta e três anos poderia estar nesse estado físico? Isso era praticamente impossível. Claire botou sua mão no rosto de Manami e ficou alisando-o por algum tempo. Claire também percebeu.
- O que trouxeram vocês até aqui, meus jovens? – Perguntou Manami afastando-se e voltando para trás de seu balcão.
- Bem, nós viemos compr...
- Viemos fazer uma visita a nossa querida Manami-Senpai. – Interrompeu-me Claire – Estamos passando nossas férias aqui em Kamarugo.
- As últimas visitas que recebi não foram nada agradáveis, parece que dessa vez será. – Manami pegou uma chave que estava sobre o balcão e sorriu para nós. – Vamos até minha casa, não seria correto receber visitas em uma floricultura velha.
- Tudo bem, obrigada! – Claire estranhamente aceitou o convite, mas eu estava pressentindo que algo de fora do comum estava acontecendo.
Manami abriu a porta dos fundos da floricultura que levava até sua casa. Começamos então a seguir uma pequena trilha que havia no meio de diversas cerejeiras e margaridas, Claire estava simplesmente amando o passeio, enquanto eu estava um pouco confuso.
- Precisamos mesmo ir até a casa de Manami? – Sussurrei para Claire, ela sorriu e balançou a cabeça positivamente.
- Sinto que tem algo acontecendo, ao tocar a pele de Manami eu senti uma profunda tristeza e arrependimento em seu coração, precisamos saber o que é. – Cochichou Claire em meu ouvido.
Claire havia percebido o mesmo que eu. Tentei relaxar um pouco e comecei a observar a paisagem, era realmente lindo, algumas cerejeiras já haviam dado frutos então tive uma pequena idéia.
- Manami, não seria muito incômodo eu lhe pegar emprestado algumas cerejas? – Perguntei com um largo sorriso.
- Ah, meu querido! Como desejar, elas são todas suas! – Permitiu ela.
- O que vai fazer com essas cerejas, Hideki?
- Não vou fazer nada, sua mãe quem vai. – Respondi Claire e logo lhe roubei um selinho.
Colhi então as que estavam mais próximas de mim, mais ou menos umas quinze cerejas, estavam todas vermelhas como uma rubi e pareciam estar saborosas. Manami, enquanto eu colhia, agachou-se e apanhou três margaridas, voltei meus olhos para aquela cena, ela pegou uma fita azul do bolso de sua camisa xadrez e envolveu-a nas três flores, dando um belo laço. Ela se aproximou de Claire e entregou para ela aquelas flores amarradas na fita.
- O que é isso? – Claire sentiu o cheiro das margaridas e sorriu. – Obrigada, Manami!
- Espero que a mãe de Hideki goste – Disse Manami virando-se de costas. – Minha casa é logo ali. – Continuou a andar.
Coloquei minha mão sobre o ombro de Claire e continuamos a seguir Manami um pouco surpresos. Como ela sabia que queríamos as margaridas para entregar à minha mãe? Mais dúvidas surgiram em minha mente, e supostamente na de Claire.
A casa possuia dois andares. Era imensa e tinha como cor principal o branco, havia uma varanda gigantesca na entrada. As janelas possuíam detalhes azul-marinho e dourado, assim como a porta principal. Na varanda uma pequena mesinha e algumas cadeiras, e uma samambaia pendurada na parede, a qual chamava muito a atenção, fora alguns pequenos vasinhos de flores pelo chão. Apenas por curiosidade olhei para cima, e em uma janela eu pude perceber a cortina balançar. A princípio não me importei muito, mas logo me lembrei que ela morava sozinha, afinal, perdera sua família. Talvez fosse minha imaginação, ou talvez tivesse mesmo alguém morando com ela. Mas quem?
- Não reparem a bagunça, não tive tempo de arrumá-la hoje. – Manami passou a chave na fechadura e abriu a porta. Ela sorriu e fez um gesto com sua mão para entrarmos. Enrolei meu braço na cintura de Claire e entrei com passos leves e tranqüilos na casa. A casa estava pesada, alguma coisa estava deixando-a pesada, e obviamente não era algo bom. Manami fechou a porta e colocou a chave em seu bolso da calça, retiramos nossos calçados e deixamos esses do lado da entrada em cima de um tapetinho bege.
O problema é que não tinha como não reparar a bagunça. O hall de entrada era grande, porém os móveis e os quadros estavam desalinhados. Os enfeites estavam espalhados pelo chão e no meio dele havia terra, assim como nas escadas, como se alguém tivesse subido elas com os pés sujos. Descrevi para Claire. Seguimos Manami até a cozinha e nos sentamos enquanto ela preparava um chá verde para tomarmos. A cozinha estava cheia de pó e de teias de aranha, os armários estavam desgastados e o fogão imundo. Não pensei que Manami fosse assim. Talvez não fosse, talvez se tornou assim há pouco tempo. Mas por quê?
- Faz tempo que não preparo um delicioso chá verde. – Comentou Manami. Eu e Claire sorrimos, ainda estávamos de mãos dadas, era uma cena totalmente comum.
- Obrigado, Manami-Senpai, mas estou com a barriga cheia, acho que nem um chazinho teria mais lugar em meu estômago. – Quando disse isso Claire meu deu uma cotovelada discretamente.
- Como você é grosseiro! – Me disse Claire com uma voz firme, um pouco constrangida pelo o que eu acabara de dizer.
- Mas eu...
- Tudo bem, Claire. Só estou fazendo um chá como uma boa anfitriã. – Manami sorriu, entregando a xícara de chá para Claire.
- Obrigada. – Agradeceu ela. Claire deu um gole no chá e colocou a xícara sobre a mesa. Eu estava impaciente, isso era visível, eu estava balançando minha perna como quem estava apertado para ir ao banheiro.
- Algo lhe incomoda, Hideki? – Perguntou-me Manami.
- Preciso ir ao banheiro. - Respondi um pouco tímido. Manami deu um sorriso estranho e seus olhos ficaram completamente pretos, como duas grandes jabuticabas. Se eu saísse dali para saber o que estava acontecendo Claire iria ficar sozinha com Manami na cozinha. Essa não é aquela senhora que eu conhecia há 10 anos, essa não era a Manami-Senpai. Ela sabia que eu percebera isso. Eu estava aterrorizado.
- Suba as escadas e vá até o fim do corredor. – Me informou ela. Logo seus olhos voltaram ao normal.
- Não demore, já está ficando tarde. – Me avisou Claire.
Apenas sorri. Confesso que eu estava um pouco hesitante em subir aquela escadaria cheia de terra e me deparar com alguma coisa lá em cima, sempre fui uma pessoa medrosa. Respirei fundo e coloquei lentamente meu pé no primeiro degrau, ele rangeu um pouco, devia ser uma escada antiga já, assim fui subindo devagar. Finalmente eu cheguei ao topo e o que eu vi foi um corredor escuro, com uma porta semi-aberta, a qual deixava escapar um pequeno feixe de luz.
- Eu não acredito, será que não tem luz esse corredor? – Perguntei baixinho para mim mesmo. Eu realmente estava assustado, a casa da Manami me dava calafrios, e ao dar meu primeiro passo a porta do quarto se fechou devagar, como se alguém tivesse feito isso. Comecei a caminhar pelo corredor até chegar naquela porta, a qual eu pensava ser o banheiro conforme me disse Manami. A cada passo que eu dava em direção a ela, meu corpo ficava mais pesado e minha cabeça girava. Já estava apoiando uma mão na parede para manter o meu equilíbrio. Ao ficar em frente do cômodo, coloquei minha mão na maçaneta da porta, porém a tirei rapidamente com um pequeno gemido por que parecia estar pegando fogo. Cobri minha mão com a camisa e a abri num piscar de olhos. Prefiria nunca ter feito isso. Assim que a abri eu vi que aquele lugar não era um banheiro e sim um quarto, porém ele não estava vazio, havia terra por todos os lados, diversas pegadas pelo chão e marcas de mãos pelas paredes. Acompanhei as pegadas dentro do quarto até uma outra porta, era um closet, e dentro desse haviam seis pessoas. Seis pessoas familiares. Seis pessoas em fase de putrefação. E atrás delas estava a senhora misteriosa que eu vira antes na cidade, sua pele pálida e seus olhos vermelhos me encaravam com ódio e logo aqueles seis zumbis avançaram para cima de mim. Dei um grito e coloquei meu braço em frente ao rosto, pude perceber que nada aconteceu. Assim que abri meus olhos simplesmente não havia ninguém ali, estiquei minha cabeça para ver o quarto e nada. Aliás, ele estava limpo e impecável, não havia terra nem bagunça nenhuma. Me joguei de joelhos no chão e suspirei aliviado, dei alguns tapas no meu rosto e me levantei novamente.
- Hideki! Vamos embora, está tarde e ainda nem fomos visitar sua mãe! – Pude ouvir Claire me gritando lá do hall.
Desci as escadas rapidamente, meu coração estava acelerado. Manami estava olhando para mim um pouco desconfiada e sorriu de lado, ela virou para a porta e tirou a chave de seu bolso, abrindo-a com ela. Ajudei Claire a colocar seus sapatos e depois coloquei os meus.
- Vou acompanhar vocês até lá na frente. – Disse Manami.
- Tudo bem. – Respondi.
Saímos da casa, assim como saiu de mim aquele peso todo, realmente era aquele lugar. Fomos seguindo a mesma trilha em silêncio até a porta dos fundos da floricultura, Manami a abriu e então entramos nela, para assim realmente irmos embora.
- Bem, vou deixar 15 dólares pelas margaridas. – Falei já tirando minha carteira do bolso e pegando o dinheiro.
- 15 dólares, Hideki? Manami foi muito gentil conosco.
- Tudo bem, 25 dólares está bom? – Perguntei a Manami
- Está ótimo, são muito generosos. – Agradeceu ela pegando levemente o dinheiro de minha mão.
- Obrigada, Manami, foi ótimo poder te reencontrar! – Claire abraçou Manami. Ela realmente gostava muito dela, as duas tinham a mesma fascinação por botânica então isso facilitava muito a relação delas. Me despedi apenas com um beijo em seu rosto e sorri.
- Até mais, crianças! Tomem cuidado e aproveitem a viagem. – Manami deu um breve aceno com aquele sorriso lindo que ela tinha.
- Até mais, Manami-Senpai! – Acenei para ela e saímos pela porta. Envolvi meu braço no pescoço de Claire e a acompanhei até nossa BMW 93 prateada, abri a porta para ela e a ajudei entrar. Dei a volta no carro, entrando no mesmo em seguida. Ela percebeu que eu estava meio eufórico.
- Descobriu alguma coisa? – Perguntou-me ela colocando sua mão em minha perna.
- Não descobri nada. Mas eu vi coisas horríveis, não sei o que está acontecendo. – Respondi tirando a chave do carro do meu bolso e ligando-o.
- O que você viu, Hideki? – Perguntou surpresa.
- Eu acho que estou cansado demais.
- O que você viu? - Perguntou ela novamente e com mais firmeza.
- Eu entrei naquele maldito quarto e ele estava coberto de terra. Haviam pegadas no chão que levavam até um closet e lá dentro estavam seis cadáveres e... - Eu não contara para Claire da velha, e algo me disse para eu não contar. Não por enquanto.
- E...?
- Eles pareciam Raiden e os cinco filhos de Manami que morreram, Claire. Eles avançaram pra cima de mim, e quando abri meus olhos de novo eles não estavam mais lá e tudo estava limpo, sem sinal de terra. - Claire ficou em silêncio.
- Manami está estranha. Ela parece arrependida, triste... Eu quero saber o que está acontecendo. Ela não é...
-... A Manami que conhecemos. – Completei a frase dela e dei ré, virando o carro e assim pegando a estradinha. Ao bater meu olho no retrovisor pude ver uma figura vestida de preto em frente à porta da floricultura de Manami, e para meu espanto, era a mesma senhora misteriosa. Eu não estava sonhando acordado, eu tenho certeza disso. Alguma coisa estava acontecendo.
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