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Capítulo 3 - Oto-San! Oka-San! ( Pai! Mãe!)

Claire ligou o rádio em sua estação preferida - de música clássica -, e encostou sua cabeça no banco, como de costume, fechando os olhos. O sol estava começando a se por e as primeiras estrelas começaram a aparecer. Minha cabeça não parava de pensar no que poderia estar acontecendo com Manami, mas eu tinha a certeza de que aquela senhora idosa que eu havia visto na cidade e logo após em frente a floricultura tinha alguma ligação.
Saímos da estradinha de terra e continuamos a seguir a rua de antes, até cairmos na rua principal do centro da cidade, que por sinal estava completamente vazia, o que era de se estranhar. Lembro-me que essa era uma das ruas mais movimentadas da cidade até mesmo na "calada da noite", era um grande ponto comercial - inclusive onde meu pai costumava trabalhar -, o ponto de lucro de Kamarugo. Dei de ombros, afinal, passaram-se dez anos mesmo.
Por fim, após alguns minutos, a noite chegou acompanhada de uma brisa gelada. Diminuí a velocidade, peguei meu casaco bege no banco de trás e cobri Claire com ele. Liguei os faróis e avistei em frente alguns rapazes que corriam de alguém ou algo, percebi que um deles fora pego por alguma coisa negra e sem forma, arregalei meus olhos e acelerei rapidamente.
- Onde estamos Hideki?
- Estamos perto, literalmente. - Respondi. Ela sorriu e apertou forte as margaridas em suas delicadas mãos, parecia estar ansiosa para ver seus pais e provavelmente os meus. Achei melhor não falar sobre o que eu acabara de ver há poucos segundos atrás, poderia assustá-la.
A rua estava coberta pelas flores de cerejeira, que obviamente vinham da única do bairro, a do quintal de Claire. Encostei meu carro na calçada, exatamente em frente à casa dos Kinoshita. Saímos do carro. Claro que não pude deixar de perceber a cerejeira. Ela balançava suavemente conforme o vento, estava até mais bela do que antes. Era bem chamativa e impossível de não roubar olhares.
- Sua cerejeira continua "de pé".
- Não consigo sentir o cheiro dela.
- Como não?
- Não sei, só não consigo. - Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto eu olhava para ela um pouco surpreso. Ela possuía um olfato incrível e simplesmente não sentia o cheiro de sua árvore preferida. Sua ligação com as cerejeiras era forte demais, todos ficavam admirados com isso, diga-se de passagem. Talvez ela estivesse com o nariz entupido.
- Vamos ver sua mãe primeiro?-Perguntei para ela.
- Quero entregar as margaridas logo para sua mãe. - Me respondeu sorrindo, logo cruzando seu braço com o meu. Andamos alguns metros até a casa dos meus pais, no máximo dez, era do lado mesmo. Roubei-lhe um selinho e toquei a campainha. Não obtivemos resposta alguma, então toquei mais uma vez.
- Haruko! Atenda a porta, estou ocupado! - Pude ouvir meu pai berrando para minha mãe.
- Claro! Jogar Gô com seu amigo é mais importante! - Respondeu minha mãe extremamente nervosa. Pelo que eu me lembre, meu pai joga Gô com esse amigo desde que me conheço por gente. É um jogo muito complexo de estratégia, podendo levar até anos para o fim de uma partida, e era o que estava acontecendo por sinal.
- Mas é claro que é! - Retrucou meu pai.
- Como assim "mas é claro que é"?! Você deveria parar de ser um velho preguiçoso e...
- Parem vocês dois, eu atendo! - Interrompeu o amigo do meu pai. Seu nome era Shinzuki Kinomoto, era bastante conhecido na cidade, no estado e conseqüentemente no país. Ele sempre foi um homem extrovertido e gentil, apesar de sempre estar devendo dinheiro para alguém. Provavelmente devia até a cueca que usava. Isso que o deixava conhecido, entende? E ele não devia por que era desafortunado, muito pelo contrário, era rico. Era ganancioso e safado, como meu pai costumava dizer.
Eu e Claire estávamos rindo dos meus pais, sabíamos que apesar de sempre estarem discutindo por qualquer coisa eles eram apaixonados um pelo outro. Sempre após uma discussão os dois ficavam se paparicando, o que acabava causando enjôo para quem visse.
Shinzuki abriu a porta, nos encarou e imediatamente arregalou os olhos, fechando-a novamente.
- O que foi isso? - Me perguntou ela.
- Acho que Shinzuki ficou um pouco surpreso com nossa volta. - Respondi um pouco confuso.
Shinzuki abriu a porta novamente e ficou nos observando.
- São vocês mesmo?! - Perguntou ele com os olhos ainda arregalados, esfregando eles com uma mão para ter certeza de que não era apenas coisa de sua cabeça.
- Olá, Shinzuki! Há quanto tempo. - Me curvei e sorri para ele.
- Boa noite, Shinzuki-San! - Cumprimentou Claire.
- Oh, meus pequenos! São vocês mesmo! Vocês voltaram! - Abriu um largo sorriso e nos deu espaço para entrarmos - Entrem, entrem! Mas que surpresa!
Entrei em casa. No momento em que botei meu pé dentro dela eu me senti diferente, comecei a ter um momento de nostalgia e suspirei. Ela estava diferente, completamente reformada. Era bom estar em casa de novo. Tiramos nossos sapatos e fomos silenciosamente até a sala de estar, para fazer uma surpresa para os meus pais. Claire estava com a mão para trás escondendo as margaridas e então entramos na sala. Por incrível que pareça, os dois ainda estavam discutindo.
- Amanhã você vai arrumar aquele jardim! - Ordenou minha mãe para o meu pai.
- E por que você não faz isso? - Perguntou ele.
- Por que eu...
- Oi, mãe! Oi, pai! - Disse em um tom baixo, para que eles não se assustassem.
Eles imediatamente pararam de discutir e voltaram seus olhares para nós dois.
- Hideki! Claire! - Minha mãe veio correndo em minha direção com seus braços abertos e com os olhos cheios de lágrimas. Ela agarrou em meu pescoço e me encheu de beijos - Quanto tempo, meu filho! Que saudades eu estava de você! - Fiquei um pouco corado e retribui o abraço. Meu pai veio logo em seguida com aquele seu jeito durão de sempre e estendeu a mão para mim.
- Olá, meu filho. - Disse ele. Peguei em sua mão e assim ficamos nos olhando por um tempo. Ele sorriu e me puxou para os seus braços, me abraçando fortemente. - Nunca mais suma desse jeito, Hideki!
- Tudo bem, pai.
- Olá, Claire! - Minha mãe abraçou Claire e deu-lhe um beijo no rosto.
- Olá, senhora Matsumoto! - Sorriu ela, entregando-a as margaridas - São para a senhora, espero que goste!
- Como são lindas! Margaridas são minhas favoritas! - Agradeceu minha mãe - Vou colocá-las em meu quarto. - E lá foi ela até seu quarto, provavelmente colocar as margaridas em algum vaso com água. E enquanto isso, meu pai cumprimentava Claire. Shinzuki estava sentado à mesa, esperando meu pai terminar o momento familiar e voltar para a partida de Gô, apesar de ele estar quase dormindo sentado.
- E as coisas na cidade grande? - Perguntou meu pai.
- Estamos financeiramente bem, temos nossa casa própria próxima, os nossos trabalhos e um carro último modelo. - Respondi - Foi uma boa escolha termos ido tentar nossa vida lá, não temos do que reclamar.
- Estou muito orgulhoso de vocês, Hideki! - Sorriu ele, dando um leve tapa em meu ombro - Bem, vou voltar para minha partida de Gô. - Meu pai juntou-se à mesa com Shinzuki novamente e ambos continuaram a jogar, os dois não pronunciavam uma palavra sequer.
- Estranho seus pais terem me tratado bem. - Disse Claire bem baixinho para que não ouvissem.
- Kamarugo mudou, temos que nos acostumar com essas mudanças. - Sorri, abraçando-a.
- As flores ficaram lindas em meu quarto! Deu uma avivada no ambiente! - Voltou minha mãe repleta de felicidade.
- Que bom que a senhora gostou, Haruko-San! - Disse Claire.
- Vocês deram uma bela de uma reformada na casa. - Comentei
- Sim, a aposentadoria do seu pai está mais alta do que o salário dele de quando trabalhava. - Riu ela discretamente.
- Que bom, mãe. Vejo que vocês estão levando uma vida boa e feliz. Vocês estão num auto-astral incrível.
- Isso é verdade. - Sussurrou Claire. Dei um beliscão no braço dela disfarçadamente, minha mãe estava feliz, mas era bom não abusar tanto.
- Vamos visitar os pais de Claire agora e depois nós voltamos para passar a noite aqui.
- Tudo bem, meu filho. Não demore, o tempo está voando e eu estou morrendo de saudades de vocês.
- Ok, mãe! Até logo!
- Até daqui a pouco, senhora Matsumoto! - Despediu-se Claire.
- Até, meus queridos!
Colocamos nossos sapatos e saímos.
- Sua mãe com saudade de mim? - Perguntou Claire rindo.
- Ora, ela está muito feliz com minha volta, só está sendo simpática.
- Bem, é verdade.
Andamos em direção até a casa dos pais de Claire. Percebi que ela estava escura e velha, como se estivesse abandonada e estranhamente comecei a sentir uma dor no lado direito do peito. Ela percebeu.
- O que foi Hideki? Está se sentindo bem? – Perguntou preocupada, colocando a mão em meu rosto.
- Só estou cansado, meu amor. -Apertei meu peito para amenizar a dor e toquei a campainha da casa. Tocamos mais algumas vezes e nada - Acho que eles não estão Claire.
- Impossível, onde eles estariam?
- Podem estar viajando, é época de férias.
- Eles odeiam viajar, você sabe.
Toquei mais duas vezes a campainha e a porta se abriu, fazendo um barulho assustador, porém, estava vazia.

2 Responses so far.

  1. Amando *-* esperando por mais *o*

  2. [aaaaaaaaaa],anciosa por mais! *--* aodijkspofk